O Irã anunciou nesta quarta-feira (8) o fechamento do Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais importantes para o transporte global de petróleo, em resposta a novos ataques de Israel contra o Líbano. A medida representa uma escalada significativa nas tensões no Oriente Médio e coloca em risco o frágil cessar-fogo firmado recentemente entre Irã, Estados Unidos e Israel.
De acordo com agências de notícias iranianas Tasnim e Fars, Teerã considera abandonar o acordo de trégua de duas semanas, que previa a suspensão de ataques em todas as frentes, incluindo o território libanês. O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, havia afirmado que o Líbano estava incluído no cessar-fogo mediado com participação dos EUA, mas Israel nega essa interpretação e mantém as operações contra o Hezbollah.
Maior ataque israelense ao Líbano desde o início do conflito
Nesta quarta-feira, Israel realizou o que classificou como o maior ataque coordenado ao Líbano até o momento. O Exército israelense informou que mais de 100 alvos ligados ao Hezbollah foram atingidos em Beirute, no Vale do Bekaa e no sul do país.
O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, declarou que centenas de membros do grupo — apoiado pelo Irã — foram atingidos. Ele descreveu a operação como o maior golpe contra o Hezbollah desde setembro de 2024, quando uma ação israelense resultou na explosão de milhares de dispositivos usados pelos militantes.
Segundo o Ministério da Saúde do Líbano, os ataques desta quarta-feira deixaram pelo menos 89 mortos e 700 feridos. Entre as vítimas fatais estão 12 profissionais de saúde. Os bombardeios atingiram diferentes áreas de Beirute, inclusive regiões próximas ao calçadão à beira-mar, com imagens mostrando prédios danificados e colunas de fumaça. Desde o início do conflito atual, o Líbano registra mais de 1.500 mortes e cerca de 4.800 feridos.
Irã promete resposta “com força”
Autoridades iranianas afirmaram que as forças armadas do país já estão definindo possíveis alvos para retaliar as “agressões” israelenses. Elas alertaram que, caso os Estados Unidos não consigam conter Israel, o Irã atuará “com força”.
Antes do novo fechamento, dois petroleiros haviam sido autorizados a atravessar o Estreito de Ormuz após o início do cessar-fogo. Com o bloqueio retomado, o fluxo de navios foi interrompido novamente, impactando diretamente o mercado internacional de petróleo. O estreito é responsável pela passagem de cerca de um quinto do petróleo comercializado no mundo.
Contexto de um cessar-fogo frágil
O acordo de cessar-fogo temporário foi anunciado na véspera, mas versões distintas sobre seus termos circulam entre as partes. Enquanto o Irã afirma que o Líbano deveria estar protegido, Israel mantém que as operações contra o Hezbollah continuarão. A tensão renovada coloca em dúvida a manutenção da trégua de duas semanas.
A situação eleva os riscos não apenas para a estabilidade do Líbano e das fronteiras de Israel, mas também para a segurança energética global, com possíveis reflexos nos preços do petróleo e no abastecimento internacional.
