O Ministério Público do Amazonas (MPAM) divulgou nota oficial nesta sexta-feira (27 de março de 2026) para esclarecer que não proibiu o delegado Marcelo Martins, titular do 24º Distrito Integrado de Polícia (DIP), de conceder entrevistas sobre a investigação da morte do menino Benício Xavier de Freitas, de 6 anos.
O caso envolve a morte da criança, ocorrida em 22 de novembro de 2025, após o atendimento no Hospital e Pronto-Socorro Santa Júlia, em Manaus. Benício recebeu uma dose de adrenalina por via intravenosa, prescrita pela médica Juliana Brasil Santos, que é investigada por homicídio qualificado. O inquérito policial (IP 3472/2026) tramita em sigilo de justiça e encontra-se em fase final.
O texto completo da nota oficial publicada pelo MPAM em sua conta no Instagram esclarece:
“Sobre o “Caso Benício”, o MPAM esclarece: Não houve determinação para impedir entrevistas. O que ocorreu foi uma orientação cautelar para preservar o andamento do inquérito, que está em fase final. A atuação segue pautada pela legalidade, responsabilidade e respeito ao sigilo judicial.”
O MPAM reforça que, no despacho ministerial, houve apenas a dilação do prazo para conclusão do inquérito policial (fixado em 45 dias) e uma solicitação — e não uma determinação impositiva — para que o delegado se abstivesse de dar entrevistas neste momento. O objetivo, segundo o órgão, é preservar o regular andamento das investigações e evitar que declarações gerem novos pedidos de suspeição ou afastamento do delegado.
Em nota, o MP-AM afirmou: “O MPAM informa que NÃO HOUVE DETERMINAÇÃO para que a autoridade policial se abstivesse de conceder entrevistas, tampouco houve pedido da defesa nesse sentido. No despacho ministerial, houve apenas a dilação do prazo para conclusão do inquérito policial, considerando que a investigação se encontra em fase final.”
O promotor de Justiça solicitou que o delegado evite entrevistas “para evitar construção de argumentos e pedidos de seu impedimento/suspeição ou afastamento”, mas o entendimento do Ministério Público é que o delegado Marcelo Martins deve permanecer à frente da investigação até sua conclusão.
A orientação surgiu após a defesa da médica Juliana Brasil Santos, representada pelos advogados Sérgio Ricardo Menezes e Sérgio Figueiredo, alegar “vazamento seletivo de informações” e “distorção de conteúdo de conversas”, afirmando que o delegado teria criado uma narrativa que influencia a opinião pública e compromete a imparcialidade do processo. A defesa chegou a pedir o reconhecimento de suspeição do delegado à Justiça.
O MP-AM nega que a medida seja uma proibição formal e reforça que toda a atuação do órgão é pautada pela legalidade e pelo respeito ao sigilo judicial.
Até o momento, o pedido de prisão preventiva da médica, representado pelo delegado, foi negado pelo Judiciário. Novas informações sobre o caso só devem ser divulgadas nos limites permitidos pela lei, conforme o andamento final do inquérito.
