A renúncia simultânea do governador Wilson Lima e do vice Tadeu de Souza abriu uma crise sucessória no Amazonas e transformou a eleição indireta para o chamado “governo tampão” em uma disputa política acirrada nos bastidores da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam).
O senador Omar Aziz (PSD) desponta como um dos nomes mais fortes para disputar o cargo que comandará o estado até janeiro de 2027. Embora ainda não tenha confirmado oficialmente sua candidatura, o senador é apontado por analistas e colunistas como o único nome com envergadura suficiente para enfrentar o atual governador interino, Roberto Cidade (União Brasil), presidente da Aleam.
A eleição indireta será realizada pelos 24 deputados estaduais e deve ocorrer dentro do prazo de 30 dias previsto na Constituição Estadual. Roberto Cidade assumiu interinamente o Executivo após as renúncias e articula para se manter no cargo por meio da votação na Casa. Ele conta com forte influência no Legislativo, onde utiliza emendas parlamentares e sua posição de liderança para angariar apoios.
Nos bastidores, levantamentos informais indicam um cenário equilibrado. Alguns parlamentares avaliam que, se a votação ocorresse hoje, Omar Aziz teria condições de montar uma maioria apertada, com estimativas variando entre 9 a 10 votos para cada lado, dependendo das negociações de última hora.
Outros nomes também ganham força na disputa:
Ednailson Rozenha (deputado estadual pelo PSD), apontado como possível aposta ou nome de consenso do grupo ligado a Omar Aziz.
Marcelo Ramos (PT), ex-deputado federal, que já anunciou publicamente sua pré-candidatura ao governo tampão.
Além deles, surgem menções a outros possíveis postulantes, como Eron Bezerra (PCdoB) e até deputados da própria Aleam que atendem aos requisitos partidários.
A eleição tampão tem peso estratégico: o vencedor assumirá o governo por cerca de nove meses e, dependendo da interpretação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e do Supremo Tribunal Federal (STF), poderá ou não disputar a reeleição nas eleições diretas de outubro de 2026. O mandato tampão é considerado para fins de contagem de reeleição, o que torna a disputa ainda mais relevante.
O senador Omar Aziz, com longa trajetória política (vereador, deputado estadual, governador e atualmente senador), tem repetido a frase “eu cumpro palavra” como marca de sua atuação. Aliados destacam sua experiência e capacidade de articulação como diferenciais em uma eleição decidida exclusivamente pelos deputados.
A Assembleia ainda deve definir as regras internas da eleição indireta, que ocorrerá em chapa (governador e vice). Paralelamente, o STF julga nesta semana caso semelhante no Rio de Janeiro, o que pode influenciar o modelo adotado no Amazonas (indireta pela Aleam ou eventual eleição direta).
O cenário permanece fluido e deve se definir nos próximos dias com as articulações entre os partidos e as bancadas.
