A Câmara dos Deputados da Argentina aprovou na madrugada desta sexta-feira (20) o projeto de reforma trabalhista defendido pelo presidente Javier Milei. A votação terminou com 135 votos favoráveis e 115 contrários, após intensos debates e em meio a uma greve nacional convocada por sindicatos opositores que paralisou setores importantes do país.
A reforma, parte da agenda de livre mercado do governo Milei, busca modernizar a legislação trabalhista para estimular investimentos e aumentar o emprego formal. Durante o debate, o deputado Lisandro Almirón, do partido governista, questionou: “De que adianta toda uma biblioteca de legislação trabalhista se, no final das contas, o sistema que ela estabelece não serve para criar empregos?”.
Entre as mudanças aprovadas, foi removido um artigo que previa redução de benefícios relacionados à saúde dos trabalhadores. Os sindicatos, no entanto, criticam duramente o pacote, alegando que ele ameaça proteções históricas, incluindo o direito à greve. A principal central sindical, a CGT, realizou uma greve de 24 horas na quinta-feira (19), impactando transportes, setor público e bancos, em protesto contra as alterações.
O texto já havia sido aprovado anteriormente pelo Senado, com apoio do partido governista e aliados de centro-direita, e agora retorna à mesma Casa para votação final. O governo argumenta que as mudanças facilitarão a geração de empregos formais e atrairão investimentos estrangeiros, enquanto investidores acompanham de perto o andamento para avaliar a capacidade de Milei de avançar sua pauta econômica.
A aprovação na Câmara representa uma vitória importante para o Executivo, mas a resistência sindical e a necessidade de confirmação no Senado mantêm o tema em tensão no cenário político argentino.
Fonte: Agência Brasil
