Exatos quatro anos após o início da invasão militar de larga escala da Rússia na Ucrânia, em 24 de fevereiro de 2022, o conflito entra em seu quinto ano como o mais sangrento e prolongado da Europa desde a Segunda Guerra Mundial. A data, marcada nesta terça-feira, é lembrada com discursos, orações e apelos internacionais por paz, em meio a combates que continuam ativos em várias frentes.
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, reiterou em discurso ao Parlamento Europeu e em mensagens públicas que a Rússia não cumpriu seus objetivos iniciais. “Putin não alcançou os objetivos. Não quebrou o povo ucraniano. Não ganhou esta guerra”, afirmou Zelensky, destacando a resistência do país e a preservação da soberania ucraniana. Ele fez um apelo enfático aos aliados ocidentais para manterem o apoio militar e financeiro, exortando os 27 membros da União Europeia a defenderem “o modo de vida europeu”. Zelensky também defendeu que a adesão à UE seria a maior garantia de segurança futura para a Ucrânia após qualquer acordo de paz, sinalizando que Kiev estaria pronta para avançar nesse processo até 2027.
Do lado russo, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, declarou que Moscou permanece aberta a alcançar seus objetivos por vias políticas e diplomáticas, mas acusou os países ocidentais de terem transformado o conflito em um confronto direto contra a Rússia. “Após a intervenção direta neste conflito por parte dos países da Europa Ocidental e dos Estados Unidos, a operação militar especial transformou-se, de fato, em um confronto muito maior entre a Rússia e os países ocidentais, que tinham e continuam tendo como objetivo destruir o nosso país”, afirmou Peskov. Ele destacou que os esforços por paz continuam, embora não tenha dado detalhes sobre novas rodadas de negociações.
O balanço humano do conflito é devastador: centenas de milhares de soldados de ambos os lados foram mortos ou feridos, além de dezenas de milhares de civis ucranianos mortos. Segundo dados da ONU, ao menos 15 mil civis ucranianos perderam a vida nos quatro anos de guerra, com estimativas indicando números ainda maiores. Cidades inteiras sofreram destruição por ataques com mísseis e drones.
No âmbito internacional, a União Europeia enfrentou entraves: a Hungria vetou, na segunda-feira (23), um novo pacote de sanções contra a Rússia e um empréstimo de 90 bilhões de euros para a Ucrânia. Apesar disso, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, juntamente com líderes da Finlândia e Dinamarca, participou de orações com Zelensky na Catedral de Santa Sofia, em Kiev — um gesto de solidariedade que contrasta com anos anteriores.
As negociações de paz, mediadas em parte pelos Estados Unidos, seguem estagnadas principalmente pela questão territorial, com cerca de 20% do território ucraniano sob controle russo. O conflito, iniciado em 2014 e escalado drasticamente em 2022 com a chamada “Operação Militar Especial” ordenada pelo presidente Vladimir Putin, continua sem perspectiva clara de resolução iminente.
Enquanto o mundo observa o quarto aniversário, a Ucrânia reafirma sua determinação de resistir, e a Rússia mantém sua postura de que não abandonará seus objetivos estratégicos. O futuro do conflito segue incerto, com impactos profundos na segurança europeia e na economia global.
Fonte: Agência Brasil
