O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quinta-feira (12) que a seleção de futebol do Irã é “bem-vinda” à Copa do Mundo de 2026, mas defendeu que o país não deveria participar do torneio por razões de “vida e segurança” de seus atletas.
Em publicação na rede social Truth Social, Trump escreveu: “A seleção nacional de futebol do Irã é bem-vinda à Copa do Mundo, mas eu realmente não acredito que seja apropriado que eles estejam lá, para sua própria vida e segurança.”
A declaração ocorre em um momento de alta tensão geopolítica. Ataques aéreos realizados pelos Estados Unidos e Israel contra Teerã desencadearam um conflito regional sem sinais de arrefecimento. Na quarta-feira (11), o ministro dos Esportes do Irã, Ahmad Donyamali, declarou que a participação na Copa é inviável “em hipótese alguma” devido à guerra, à morte do líder supremo aiatolá Ali Khamenei em um dos ataques e ao atual contexto de instabilidade no país.
A Copa do Mundo de 2026, com formato ampliado para 48 seleções, será disputada entre 11 de junho e 19 de julho nos Estados Unidos, Canadá e México. O Irã tem jogos previstos em cidades americanas como Los Angeles e Seattle. Uma desistência oficial seria inédita na era moderna do torneio e obrigaria a FIFA a encontrar uma substituta rapidamente.
O Irã foi o único país ausente de uma reunião de planejamento da FIFA realizada na semana passada em Atlanta. A entidade máxima do futebol ainda não se pronunciou oficialmente sobre o caso. Curiosamente, no final de 2025, a FIFA concedeu a Trump seu prêmio inaugural da paz, em meio à campanha do presidente americano pelo Prêmio Nobel da Paz.
Dias antes, o presidente da FIFA, Gianni Infantino, havia dito que Trump garantiu em conversa que a seleção iraniana seria recebida “sem obstáculos” nos EUA. A declaração de Trump na Truth Social gerou interpretações mistas: uma recepção formal, mas com forte recomendação de ausência por riscos de segurança.
O caso também ganhou contornos humanitários recentes: a Austrália concedeu vistos humanitários a cinco jogadoras da seleção feminina iraniana que buscavam asilo por medo de perseguição ao retornarem ao país após se recusarem a cantar o hino nacional em uma partida da Copa da Ásia. Trump chegou a pressionar publicamente o primeiro-ministro australiano, Anthony Albanese, afirmando que os EUA concederiam asilo caso a Austrália não o fizesse.
Até o momento, não há confirmação oficial de desistência do Irã junto à FIFA, mas o cenário aponta para a maior politização de uma Copa do Mundo nos últimos tempos.
