Manaus, 6 de abril de 2026 – A renúncia simultânea do governador Wilson Lima (União Brasil) e do vice-governador Tadeu de Souza (Progressistas), protocolada na noite de 4 de abril, abriu caminho para uma eleição indireta na Assembleia Legislativa do Amazonas (ALEAM). O processo, previsto no artigo 52 da Constituição Estadual, será realizado pelos 24 deputados estaduais em até 30 dias e definirá o governador e o vice que concluirão o mandato tampão até janeiro de 2027.
O presidente da ALEAM, Roberto Cidade (União Brasil), assumiu interinamente o cargo de governador na tarde de 5 de abril, em sessão solene. Ele é responsável por convocar a eleição indireta, que deve ocorrer ainda nesta semana, com forte expectativa de votação na sessão de terça-feira (7). Se Cidade concorrer e for eleito, renunciará à presidência da Casa, abrindo nova eleição interna para o comando da ALEAM.
A eleição indireta não apenas preenche a vacância (motivada pela desincompatibilização de seis meses para as eleições de 2026 – Wilson Lima mira o Senado e Tadeu de Souza, a Câmara Federal), mas também serve como termômetro das forças políticas que disputarão o governo estadual em outubro.
Principais cotados para o governo tampão
Os bastidores da ALEAM já movimentam articulações intensas. Embora apenas deputados estaduais possam, em regra, concorrer (segundo a maioria das interpretações da Constituição estadual), o processo tem atraído nomes com forte base parlamentar. Os principais cotados são:
- Roberto Cidade (União Brasil) – Atual governador interino e presidente da ALEAM (terceiro mandato no cargo), Cidade é o nome mais forte e favorito absoluto. Conta com ampla maioria na Casa, articulação consolidada e o apoio integral do grupo de Wilson Lima. Fontes ligadas ao parlamento o apontam como “candidato natural” e praticamente imbatível caso a base permaneça unida. Ele evitou confirmar publicamente a candidatura, mas aliados apostam que o período interino será curto.
- Ednailson Rozenha (PSD) – Deputado estadual e presidente da Federação Amazonense de Futebol (FAF), Rozenha desponta como a principal alternativa ao grupo de Cidade. Seu nome é articulado pelo senador Omar Aziz (PSD), pré-candidato ao governo nas eleições diretas de 2026. Rozenha representa uma frente ligada a Aziz e às forças policiais do estado, podendo atrair parte dos deputados que historicamente seguem o senador. O PSD confirma que lançará seu nome para confrontar o favoritismo de Cidade.
- Marcelo Ramos (PT, ex-deputado federal) – O ex-parlamentar federal do PT foi o primeiro a confirmar publicamente a intenção de disputar. Ramos se posiciona como candidato de oposição, criticando o que chama de “jogo de cartas marcadas” e buscando construir uma frente alternativa. Mesmo não sendo deputado estadual no momento, sua movimentação ganha repercussão nos bastidores como forma de polarizar o debate e testar a unidade da base governista.
Outros nomes e cenário mais amplo
Além dos três principais, deputados como Péricles, Maciel, Débora Menezes e o ex-prefeito de Manaus David Almeida (Avante) – que controla dois votos na ALEAM (Abdalla Fraxe e Daniel Almeida) – são mencionados em articulações. Senadores como Eduardo Braga (MDB) e Omar Aziz monitoram os movimentos, mas até o momento não há indícios de que lançarão outros nomes.
A tendência, segundo analistas, é que Roberto Cidade saia vitorioso, dada a maioria da base. No entanto, o lançamento de Rozenha e a entrada de Ramos podem forçar negociações e revelar rachaduras nas alianças para 2026.
A eleição indireta deve ser concluída com rapidez para garantir a continuidade administrativa do estado. O vencedor assumirá o governo tampão e, caso deseje, poderá disputar a reeleição nas urnas em outubro deste ano.
