O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) protagonizaram neste domingo (18) o primeiro confronto direto das eleições presidenciais de 2026, no debate promovido pela Band, em São Paulo. O encontro, realizado a uma semana do segundo turno (25 de outubro), durou cerca de duas horas, foi mediado por Adriana Araújo e Eduardo Oinegue e marcado por troca intensa de acusações, provocações e interrupções da plateia.
Flávio chegou acompanhado de aliados como Tarcísio de Freitas, Sergio Moro e Deltan Dallagnol. Lula veio com Geraldo Alckmin, Fernando Haddad e outras lideranças. O formato teve três blocos com perguntas dos mediadores e períodos de confronto direto (incluindo 30 minutos livres no primeiro bloco).
Segurança pública e saúde
Flávio prometeu “guerra ao narcoterrorismo”, classificar PCC, CV e milícias como organizações narcoterroristas, recuperar territórios dominados pelo crime e construir 500 mil vagas no sistema penitenciário. Defendeu endurecimento de penas, castração química para estupradores e redução da maioridade penal. Também cobrou Lula sobre as “saidinhas” de presos, citando casos de crimes cometidos durante o benefício.
Na saúde, o candidato do PL anunciou Cláudio Lottenberg (ex-Hospital Albert Einstein) para o Ministério da Saúde e propôs um “SUS padrão Einstein”, com prontuário único eletrônico via CPF, telemedicina e alta tecnologia. Admitiu falhas na gestão do pai, Jair Bolsonaro, durante a pandemia (mais de 700 mil mortes), mas defendeu a compra de vacinas.
Lula questionou se a proposta privatizaria o SUS, criticou a gestão bolsonarista da pandemia e destacou programas como o Mais Médicos Especialistas. Os dois trocaram provocações; Lula chegou a chamar Flávio de “palhaço” após interrupções.
Economia e custo de vida
Flávio criticou o endividamento e o custo de vida, prometeu abrir espaço de mais de R$ 200 bilhões no orçamento para auxiliar no pagamento de dívidas pessoais, criar o Ministério da Prosperidade, manter o Bolsa Família com reajustes, congelar dívidas (seis meses para pessoas físicas e um ano para jurídicas) e tratar a internet como infraestrutura essencial. Defendeu o fim da escala 6×1 (disse ter votado a favor após ouvir trabalhadores) e ressaltou segurança para que o dia de folga não se torne “pesadelo”.
Lula afirmou que “a melhor coisa para o Brasil é a economia voltar a crescer”, defendeu o estímulo ao consumo, valorização do salário mínimo acima da inflação, fortalecimento de empresas estatais (Petrobras, Eletrobras) e investimentos em inovação e indústria. Criticou Flávio por “nunca ter trabalhado” e ironizou inspirações no modelo de Javier Milei. Nas considerações finais, reforçou a defesa de estatais fortes.
Acusações pessoais
Flávio cobrou Lula sobre o “caso Lulinha” e acusações da lobista Roberta Luchsinger, questionando se o presidente a conhecia. Lula respondeu que o assunto é da Polícia Federal e rebateu cobrando a relação de Flávio com o empresário Daniel Vorcaro (Banco Master) e os R$ 134 milhões alegadamente pedidos para o filme “Dark Horse”. O petista desafiou o adversário a abrir sigilos bancários e telefônicos de ambos e de familiares: “Vamos quebrar nosso sigilo telefônico e ver quem é ladrão”. Flávio disse não ter nada a esconder.
Houve embates sobre indulto a Jair Bolsonaro, relação com os EUA (Lula acusou subordinação e Flávio negou, defendendo combate a tarifas e o “Escudo das Américas”) e votos de presos. A plateia gerou confusão, especialmente nas considerações finais, com gritos e intervenções dos mediadores. Flávio circulou pelo estúdio e se posicionou atrás de Lula em alguns momentos.
Após o debate, Flávio avaliou que rebateu “mentiras” de Lula e falou em resgatar o patriotismo do povo brasileiro. Lula comentou seu desempenho e reforçou a defesa das estatais.
O embate ocorre em cenário de empate técnico nas pesquisas (Datafolha: Flávio 47% x Lula 45%). Foi o primeiro confronto direto entre os dois nesta eleição.
