Ministros sobrevoam áreas atingidas por incêndios no Amazonas

Manaus (AM) — Após sobrevoar áreas atingidas por incêndios florestais no Amazonas neste domingo (11), o ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, classificou o cenário como “mais grave do que eu imaginava”. Segundo ele, a comitiva federal identificou numerosos focos de fogo no meio da floresta preservada, além daqueles que avançam a partir de pastagens.

“Nós identificamos muitos focos de incêndio no meio da floresta preservada. Não se trata apenas daquele fogo que foi colocado na pastagem e adentrou a floresta. Nesse caso, além do fogo que vem da pastagem, nós vimos focos no meio da floresta preservada. Inúmeros focos”, afirmou Capobianco durante coletiva na Base Aérea de Manaus.

A presença de pontos isolados em áreas de difícil acesso, segundo o ministro, indica ação humana intencional para degradar o bioma e preparar terreno para futuro desmatamento. Ele cobrou o empenho da Polícia Militar, ao lado do Corpo de Bombeiros, no combate e na identificação dos infratores.

“É fundamental que esses indivíduos que estão agindo criminosamente vejam que serão punidos. Ou seja, é necessário combater a impunidade que está reinando aqui na região”, alertou.

Aeronaves já operam no combate

As aeronaves enviadas pelo governo federal iniciaram neste domingo as operações de combate aos incêndios, após melhora nas condições de visibilidade. A frota conta com 11 aeronaves, incluindo aviões Air Tractor (já realizando lançamentos de água) e duas aeronaves C-390 (KC-390) da Força Aérea Brasileira, que passam a operar a partir de segunda-feira (12).

Capobianco garantiu que o efetivo permanecerá no estado “até apagar os focos de incêndio que estão causando dano à população de Manaus”. A operação integrada também envolve brigadistas do Ibama, do ICMBio e da Força Nacional.

A decolagem da comitiva e o início das missões aéreas sofreram atraso devido à densa camada de fumaça sobre Manaus, que comprometeu a visibilidade. O sobrevoo de monitoramento ocorreu na região de Autazes.

A comitiva federal inclui ainda o ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes; o governador do Amazonas, Roberto Cidade; o presidente do Ibama, Jair Schmitt; e o secretário Nacional de Defesa Civil, Wolnei Wolff. Antes do sobrevoo, os representantes visitaram o Centro Integrado de Comando e Controle e reuniram-se na sede da Suframa.

Fumaça e impactos na saúde

Pelo quarto dia consecutivo, Manaus amanheceu coberta por densa fumaça. Sensores do Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva), da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), registraram qualidade do ar “péssima” na capital e em outros cinco municípios da Região Metropolitana. Em Careiro, a concentração de partículas chegou a 301,2 µg/m³.

A Defesa Civil emitiu alerta severo orientando o uso de máscaras e a restrição de exposição ao ar livre. A Prefeitura de Manaus suspendeu atividades e eventos públicos ao ar livre neste domingo e na segunda-feira. A Secretaria de Estado de Saúde registrou 82 atendimentos de urgência por problemas respiratórios relacionados à fumaça entre 1º e 8 de outubro.

Situação de emergência e números alarmantes

O governo federal reconheceu situação de emergência em 36 municípios amazonenses no sábado (10), mesmo dia em que o estado decretou emergência. A medida permite atuação integrada e repasse de recursos. Manaus permanece em estado de atenção desde 24 de setembro.

Segundo dados do Censipam, o Amazonas registrou 1.380 focos de incêndio nos primeiros 10 dias de outubro — alta de 271% em relação ao mesmo período de 2025. A maior parte ocorreu em áreas públicas e de conservação: 246 em assentamentos federais, 116 em terras indígenas, 97 em unidades de conservação e 174 relacionados ao desmatamento.

O ministro Waldez Góes destacou que, além de apagar o fogo, é necessário prestar assistência humanitária e médica às pessoas afetadas. Equipes da Força Nacional do SUS já atuam no estado.

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