Na madrugada desta terça-feira (9), piratas fluviais invadiram o Porto de São Raimundo, na zona oeste de Manaus, e roubaram uma embarcação do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) fluvial, responsável por socorrer pacientes em comunidades ribeirinhas. O crime comprometeu diretamente o transporte de doentes e o suporte médico em regiões isoladas, onde o acesso terrestre é inexistente.
Escalada da pirataria nos rios
O episódio reforça a preocupação crescente com a pirataria fluvial no Amazonas, que tem se intensificado nos últimos anos.
- Rotas mais visadas: rios Amazonas, Solimões e Madeira.
- Táticas criminosas: uso de drones para reconhecimento, armas de grosso calibre e comunicação avançada.
- Prejuízos: entre 2020 e 2023, foram roubados 7,7 milhões de litros de combustíveis, causando perdas estimadas em R$ 48 milhões.
Impacto direto na saúde
A perda da embarcação do SAMU representa um risco imediato para comunidades ribeirinhas que dependem do serviço para emergências médicas. Sem o barco, pacientes em estado grave ficam sem transporte adequado até hospitais da capital. Autoridades de saúde alertam que o atendimento pode ser gravemente prejudicado nos próximos dias.
Reação das autoridades
A Polícia Civil e a Polícia Federal abriram investigação para identificar os responsáveis. Empresas de navegação e sindicatos reforçam a necessidade de maior presença policial permanente nos rios, além de investimentos em tecnologia de rastreamento e escoltas armadas.
Consequências sociais e ambientais
- Comunidades ribeirinhas: vulnerabilidade extrema diante da falta de atendimento médico.
- Tripulantes: risco de violência durante os ataques.
- Meio ambiente: roubo de combustíveis aumenta a chance de acidentes e poluição nos rios.
O roubo da embarcação do SAMU em Manaus não é apenas um crime patrimonial: é um alerta sobre a fragilidade da segurança fluvial e o impacto direto na vida de milhares de ribeirinhos. O combate à pirataria exige integração entre forças de segurança, políticas públicas específicas e investimentos em tecnologia para proteger tanto o transporte comercial quanto serviços vitais como a saúde.
POSICIONAMENTO OFICIAL DA PREFEITURA DE MANAUS
A Prefeitura de Manaus, por meio da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), informa que, lamentavelmente, a ambulância fluvial do Serviço Móvel de Urgência (Samu 192), que atende aos chamados das populações ribeirinhas do município, foi furtada, na noite de terça-feira, 9/6, deixando o serviço inoperante.
A embarcação estava ancorada no porto de São Raimundo, zona Oeste, onde funciona a Base Fluvial do Samu, quando, por volta das 22h, foi invadida por seis bandidos encapuzados, que levaram a embarcação juntamente com todos os seus equipamentos de suporte à vida.
Conhecida como “Ambulancha”, a ambulância fluvial atende mais de 40 comunidades localizadas nos rios Negro e Amazonas, cujo acesso ocorre exclusivamente por via fluvial, além de outras localidades onde o deslocamento por rio é a forma mais rápida de atendimento. O serviço existe há 20 anos e nunca havia sido alvo de uma ação dessa natureza.
De acordo com os socorristas que estavam de plantão na Base Fluvial do Samu, os bandidos conduziram a ambulância até o meio do rio, dividindo-se entre uma segunda embarcação que já os esperava no local. Cada uma seguiu em direções opostas.
As providências necessárias, incluindo o registro da ocorrência em Boletim de Ocorrência (BO), foram tomadas imediatamente pela Semsa. Desde as primeiras horas desta quarta-feira, 10/6, as autoridades policiais atuam na apuração do caso. A Guarda Municipal de Manaus (GMM), vinculada à Secretaria Municipal de Segurança Pública e Defesa Social (Semseg), também presta apoio às ações relacionadas à ocorrência.
A Prefeitura de Manaus condena veementemente qualquer conduta ilícita e destaca que, neste caso, o crime afeta pessoas em situação crítica de saúde, em risco de morte, que dependem do socorro do Samu para receber atendimento médico.
