Negociadores da Ucrânia e da Rússia deram início nesta terça-feira (17) a duas rodadas de conversações de paz em Genebra, na Suíça, mediadas pelos Estados Unidos. O encontro, que se estende até quarta-feira (18), concentra-se principalmente no principal ponto de discórdia: as questões territoriais, no contexto da guerra que já dura quase quatro anos.
Esta é a terceira rodada de negociações trilaterais desde as conversas anteriores em Abu Dhabi, descritas como “construtivas”, mas sem avanços concretos. A mudança para Genebra ocorre em meio a intensos combates no front e ataques aéreos russos.
Horas antes do início das conversas, a Rússia lançou uma pesada onda de ataques aéreos contra várias regiões da Ucrânia, com danos graves à infraestrutura energética em Odessa, deixando dezenas de milhares de pessoas sem aquecimento e acesso a água.
A delegação ucraniana é liderada pelo principal negociador Rustem Umerov, secretário do Conselho de Segurança e Defesa Nacional. Do lado russo, não foram divulgados nomes específicos da liderança da delegação. A mediação americana conta com Steve Witkoff e Jared Kushner, representando o governo do presidente Donald Trump.
As negociações são indiretas e abrangem temas de segurança, questões humanitárias e, principalmente, territórios. A Rússia exige que a Ucrânia ceda os 20% restantes da região oriental de Donetsk sob controle russo – demanda rejeitada por Kiev.
Rustem Umerov declarou: “Estamos trabalhando de forma construtiva, focados e sem expectativas excessivas. Nossa tarefa é avançar ao máximo nas soluções que podem aproximar uma paz sustentável.”
O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky cobrou dos aliados maior pressão sobre Moscou por meio de sanções mais duras e fornecimento de armas, afirmando que a Ucrânia enfrenta a maior pressão para fazer concessões em um acordo “real e justo”.
Do lado americano, Donald Trump comentou: “Bem, temos grandes negociações. Vai ser muito fácil. Quero dizer, vejam, até agora, é melhor a Ucrânia se sentar à mesa rapidamente. É tudo o que tenho a dizer.” Trump tem aumentado a pressão sobre Kiev para acelerar um acordo.
O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou que as discussões desta vez abrangem uma “gama mais ampla de questões”, incluindo “as principais questões dizem respeito tanto aos territórios quanto a tudo o mais relacionado às exigências que apresentamos”.
As expectativas para um avanço imediato permanecem baixas, com ambos os lados mantendo posições firmes. As conversas prosseguem amanhã, em meio ao aproximar do quarto aniversário da invasão russa em larga escala, iniciada em fevereiro de 2022 – o maior conflito na Europa desde a Segunda Guerra Mundial.
